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Comissão de Agricultura

10/03/2005 12:00

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A agricultura familiar é responsável por 27% do PIB do Rio Grande do Sul, respondendo por 97% da produção das lavouras de fumo, 74% do milho e 58% da soja produzida no estado. Na pecuária, os agricultores familiares produzem 89% do leite, 74% da aves e 71% dos suínos. Além disso, o setor é responsável por 99% do valor gerado pela indústria de laticínios, 71% da indústria do abate de aves e 70% da indústria do abate de suínos. A chamada agricultura patronal responde por 23% do total do PIB do estado. Os dados estão disponíveis nas conclusões do estudo inédito "O PIB das cadeias produtivas da agricultura familiar do Rio Grande do Sul" , promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e coordenado pelo professor Joaquim José Martins Guilhoto, da Universidade de São Paulo (USP). O estudo foi apresentado hoje (10) em audiência pública da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembléia Legislativa, presidida pelo deputado Elvino Bohn Gass (PT).

O evento contou com a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Roseto, para quem o trabalho serve para compreender melhor a dinâmica produtiva e social do mundo rural brasileiro. Os dados disponibilizados permitem perceber a enorme potencialidade de um modelo agrário mais democrático. A agricultura familiar é um segmento com grande capacidade de respostas econômicas, que gera renda, produz alimentos e distribui riqueza, disse. Para o ministro, a sociedade brasileira precisa ter acesso à informações corretas para que possa debater e decidir sobre as políticas que o Estado vai implementar. Roseto chamou a atenção, ainda, para o fato de que a Agricultura Familiar envolve cerca de 440 mil famílias só no Rio Grande do Sul. Qualquer política para setor, portanto, tem ampla repercussão social, explicou. Para o ministro, o estudo serve para demonstrar o valor do trabalho das famílias que produzem no meio rural e fundamenta a necessidade de políticas públicas que apoiem este setor da economia brasileira.

Para o presidente da Comissão de Agricultura da Assembléia Legislativa, deputado Elvino Bohn Gass (PT), o trabalho apresentado serve para desmistificar a idéia errônea de que a agricultura familiar é pequena, atrasada. Os agricultores familiares não são uns coitadinhos que precisam de políticas compensatórias, mas ocupam uma papel importantíssimo na economia gaúcha. São muitos produzindo muito, defendeu. Para o parlamentar, as informações sistematizadas no estudo devem servir para que as entidades representativas do setor reforcem suas políticas e suas reivindicações. Conforme Bohn Gass, o trabalho comprova, também, o acerto das políticas que estão sendo executadas pelo governo federal de apoio e incentivo à agricultura familiar. Aumentar o Pronaf de R$ 2,4 bilhões para R$ 7 bilhões, este ano, certamente vai auxiliar ao setor crescer ainda mais, avalia. Já o governo do estado, segundo o deputado, ainda precisa se convencer da necessidade de investir no setor. O Executivo estadual precisa elevar os recursos investidos na agricultura familiar. Deve fazer a sua parte para auxiliar a economia gaúcha, concluiu.
Coordenador do estudo, o professor José Guilhoto afirmou que os dados comprovam que a agricultura familiar tem uma real importância econômica e não apenas de subsistência da pequena propriedade. Outro membro da equipe técnica que desenvolveu a pesquisa, o agrônomo Fernando Gaiger Siveira, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), disse que os dados demonstram que a agricultura familiar tem grande importância para a economia gaúcha. Gaiger ressaltou que o setor tem grande espaço para crescer, dependendo de políticas de crédito, assistência técnica e disponibilização de áreas.

O professor Carlos Mielitz Neto, do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural da UFRGS, concordou que o estudo deve servir para subsidiar as políticas públicas para o setor. Para o professor, a pesquisa evidencia o lugar de destaque da agricultura familiar na produção da riqueza. O impacto econômico local da agricultura familiar é muito importante. A renda produzida pelos agricultores familiares é reinvestida na região, tem um efeito multiplicador muito mais significativo defende.

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