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YEDA DEVE DIZER QUEM MATOU O COLONO EDSON

25/08/2009 12:00

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O ex-Ouvidor Agrário e de Segurança Pública do governo Yeda, Adão Paiani fez circular um texto onde diz o seguinte:

...durante minha atuação como Ouvidor, participei, a convite da Ouvidoria Agrária Nacional, da elaboração das Diretrizes Nacionais para Cumprimento de Mandados Judiciais que visassem à desocupação de áreas em conflito, e fui um dos seus signatários. A única Polícia Militar do Brasil que se recusou a assinar o referido documento foi a Brigada Militar. A observância dessas normas, visa, fundamentalmente, impedir que ações que busquem a garantia de direitos juridicamente tutelados não venham a desrespeitar outros de igual ou superior importância. Ou seja, não vale tudo para se cumprir uma ordem judicial, como ocorreu em São Gabriel...

Considero esclarecedora esta manifestação de um ex-integrante do governo Yeda. Note-se: não é o PT que está a dizer que, em São Gabriel, "valeu tudo". Quem fazesta afirmação é o homem que durante os dois primeiros anos do governo Yeda, mereceu da governadora a sua confiança para ser seus "olhos e ouvidos" em áres sensíveis como a agrária e a segurança pública. Isto não é menos importante.

As Diretrizes a que se refere Paiani, foram criadas pela Ouvidoria Agrária Nacional ligada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) do governo Lula. Conheço muito bem o ministro Guilherme Cassel e toda a sua equipe técnica. Trata-se de um grupo da mais alta competência e com um elevado compromisso com a cidadania, a justiça e a dignidade humana.

Os conflitos agrários já causaram muitas mortes no Brasil, mas a priorização do diálogo combinada com uma ação segura e balizada pelo estrito cumprimento da lei no MDA, tem obtido avanços muitos significativos. Dizendo melhor: tem evitado que pessoas morram e que famílias fiquem totalmente desassistidas. O objetivo é que brasileiros cujo único "crime" é não ter um pedaço de terra, não sejam tratados como se fossem bandidos, como aconteceu em São Gabriel por ordem de Yeda Crusius.

As Diretrizes orientam, por exemplo, que todas as operações de desapropriação sejam documentadas por filmagens, e que se avise, previamente, entidades como Ministério Público, Incra, Ouvidoria Agrária, Comissões de Direitos Humanos, OAB, Prefeitura, Câmara de Vereadores, Delegacia de Polícia Agrária, Conselho Tutelar e Defensoria Pública.

Mas o governo tucano gaúcho não aceita este direcionamento. Faz, portanto, uma opção ideológica que enxerga nos movimentos sociais um inimigo de seu projeto. E este inimigo deve ser contido a qualquer custo. No caso de Edson Brum, o custo foi a vida.

Yeda pode não ter aceitado a diretriz que visava preservar a vida, mas agora terá que dar explicações sobre a morte. Quem deu o tiro que matou Edson? Quem deu a ordem? Que providências serão tomadas em relação ao matador?

Já se sabe que as cautelas (recibos assinados pelos PMs quando retiram as armas no quartel antes de partir para uma ação como a de São Gabriel) foram todas recolhidas e que a Brigada Militar tem, portanto, todas as informações sobre o assassinato.

Nomes de possíveis autores já circulam pela Internet e nos corredores do poder a boataria cresce dando conta de que estaria havendo uma tentativa de proteção do assassino, quem sabe até, a montagem de uma versão.

Mas num caso como este, a verdade sempre vem à tona. Então, Yeda que trate de dizê-la logo. Do contrário, à montanha de denúncias de corrupção que já pesam sobre este governo, se somará a acusação de que em tempos tucanos, o Rio Grander do Sul se tornou um Estado que protege assassinos.

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