Cadastra-se para receber notícias
O Brasil sem o mínimo futuro

13/04/2017 05:18

Tamanho da fonte

O Brasil sem o mínimo futuro

por Elvino Bohn Gass

O futuro para onde a ponte projetada por Michel Temer pretende levar o Brasil, não terá pobres. Não porque o combate à miséria será prioritário e contínuo como convém a um país que almeja o desenvolvimento, mas porque os pobres morrerão de doença ou fome. O projeto-Temer é tão ou mais perverso do que o de FHC. Enquanto o tucano governava mal disfarçando a exclusão de, pelo menos, 30 milhões de pessoas de baixa ou nenhuma renda, o peemedebista propõe uma medida cuja consequência será o aniquilamento da cidadania de um contingente ainda maior de brasileiros. É a análise possível ante a tentativa de Temer de desvincular os benefícios concedidos ao salário mínimo.

Mais até do que os programas de renda mínima, a política de aumento e ganho reais, aplicada ao salário mínimo, foi a grande responsável pela retirada de milhões de famílias da linha de pobreza no país. O relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento em 2015 confirma: enquanto o mundo conseguiu reduzir estas chagas pela metade – de 47% em 1990, para 22% em 2012 - o Brasil, no mesmo período, praticamente erradicou a fome e a população extremamente pobre caiu de 25,5% em 1990, para 3,5% em 2012.

Com mais renda, milhões de pessoas que até então viviam sob condições históricas de desigualdade, passou a ter acesso à alimentação e a um mínimo de dignidade. Foi uma revolução silenciosa no campo e na cidade que, em pouco mais de dez anos, nos tornou referência internacional. Da condição de país conhecido pelo alto índice de pobreza, para a Nação que, de forma pacífica, conseguiu reduzir radicalmente a miséria.

Então, pretender, agora, sob o discurso da crise, ou baseado nos desencontrados números da sustentabilidade previdenciária, decretar o fim da política que mais contribuiu para essa conquista, não é apenas uma opção equivocada, mas um erro histórico de consequências desastrosas. A desvinculação defendida por Temer e sua turma, afeta não apenas a preservação do valor do salário mínimo, mas, também, sepulta qualquer perspectiva de elevação do seu ganho real. Do ponto de vista econômico, um tiro pé: menos ganho, menos consumo, menos emprego, menos imposto. Economia menor. Desenvolvimento menor. Brasil menor. Do ponto de vista social, uma condenação em massa. A medida não atinge um único cidadão privilegiado; ao contrário, cinge-se aos que ganham menos. Estamos falando de quem ganha um salário mínimo! Estamos falando de mais de 22 milhões de homens e mulheres que vivem da aposentadoria! Estamos falando de pobres!

A proposta reveste-se, ainda, de um alto grau de cinismo ao jogar para uma regulamentação futura o regramento dos reajustes desses benefícios. Afinal, se esses governantes se mostram covardes ao atacarem diretamente os menos protegidos, nada nos autoriza imaginar que estabeleceriam critérios socialmente justos para definir os reajustes futuros. Por fim, ao chantagear a sociedade tentando fazê-la crer que é isto ou o aumento de impostos, Temer e os seus, só comprovam a incapacidade de gestão e a insensibilidade que orientam seus atos.

Se governar é fazer escolhas, as de Temer e sua turma não poderiam estar mais nítidas.

- Deputado Federal (PT/RS)

Compartilhe:

  • Facebook
  • Share on Twitter