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Artigo - O FIM DO COVARDE

26/05/2017 07:07

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Artigo - O FIM DO COVARDE

por Elvino Bohn Gass

Brasília, 7 de março de 2017 – na condição de Presidente da República, Michel Temer/PMDB recebe, depois das 10 da noite, fora da agenda, Joesley Batista, um dos donos da JBS, maior companhia de carne do mundo. O empresário confessa ao presidente que comprou um juiz, um juiz substituto, um procurador da República e, ainda, que paga propina em troca do silêncio de Eduardo Cunha (PMDB/RJ), ex-presidente da Câmara dos Deputados que está na cadeia por corrupção. Temer avaliza a compra do silêncio de Cunha [“Tem que manter isso”]. No mesmo encontro, Joesley acerta propina de R$ 500 mil por semana a Temer, durante 20 anos [R$ 480 milhões] em troca da permissão para que sua empresa comprasse gás diretamente da Bolívia, sem a intermediação da Petrobras. Temer indica o deputado Rodrigo Rocha Loures/PMDB como intermediário da propina. Dias depois, num restaurante em São Paulo, Rocha Loures recebe uma mala com R$ 500 mil. Em seguida, viaja com Temer no avião presidencial.

São Paulo, 24 de março de 2017 – para combinar a entrega de R$ 2 milhões que o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, havia lhe pedido sob o argumento de que seriam usados no pagamento de advogados, Joesley se encontra com o político num hotel em São Paulo. Os dois conversam sobre mudanças na legislação, indicação de cargos de interesse do empresário. Ato contínuo, Aécio indica o primo Frederico Pacheco de Medeiros, para receber o dinheiro. [ “Tem que ser alguém que a gente mata antes de delatar”] De novo, a propina é combinada em parcelas de R$ 500 mil.

Há provas de tudo isso! As conversas de Joesley com Temer e Aécio foram gravadas em áudio, e as entregas de dinheiro parar os emissários de ambos, em vídeo. A Procuradoria-geral da República pede abertura de inquérito contra Temer, a prisão e o afastamento de Aécio do mandato. O STF autoriza o inquérito de Temer e afasta Aécio, mas nega a prisão.

Enquanto isso, o Congresso Nacional tenta aparentar normalidade e manobra para garantir a tramitação dos projetos mais importantes do governo liderado por Temer e Aécio: as reformas trabalhista e da Previdência, já nitidamente rejeitadas pela esmagadora maioria da população.

Brasília, 24 de maio de 2017 – mais de 100 mil pessoas ocupam a Esplanada dos Ministério. O protesto, inicialmente planejado contra as reformas, passa a ter como prioridade a saída de Temer e a defesa de eleições diretas. Tanto o governo, cujo comando está nas mãos de um criminoso comprovado, quanto o Congresso, onde mais 100 parlamentares estão sob investigação de corrupção, não têm legitimidade para votar reformas que retiram direitos básicos dos trabalhadores e, muito menos, para eleger o principal governante do país.

O protesto é reprimido de forma truculenta desde seu início. Gás, bombas e tiros... O enfrentamento se torna inevitável. Surge uma fumaça preta no horizonte. Há fogo em alguns ministérios. O presidente sem moral, mas ainda com poder, utiliza isso como argumento para convocar as forças armadas e impedir o povo de continuar se manifestando. No dia seguinte, comprovando sua debilidade, revoga o ato.

Um governo golpista como o de Temer não poderia, mesmo, acabar de outra forma. Rejeitado pela quase totalidade da população, flagrado em crimes gravíssimos, o governo que se instalou no Brasil após a votação de um impeachment sem crime, confirma-se a máxima de Isaac Asimov: “A violência é o último reduto do incompetente”. Ou, no caso de Temer e de seus aliados golpistas, dos covardes.

Deputado Federal (RS) e Secretário Nacional Agrário do PT

 

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