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“Governo tem que agir para cessar perdas dos produtores de leite”, diz Bohn Gass

16/08/2017 07:57

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“Governo tem que agir para cessar perdas dos produtores de leite”, diz Bohn Gass

Deputado diz é preciso frear as importações, retomar as compras  públicas e mudar política econômica recessiva que reduz o consumo

 “A queda de até sete centavos por litro pago aos produtores de leite nos últimos meses, não pode continuar. O governo federal precisar agir imediatamente”. O alerta foi feito pelo deputado federal Elvino Bohn Gass (PT/RS), titular da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara Federal, na audiência pública desta terça-feira (15), em Brasília, que discutiu os problemas enfrentados pela cadeia produtiva do leite.

“É hora de retomar as compras públicas, frear as importações de leite em pó e mudar radicalmente essa política econômica que reduz o poder de consumo da população”, receitou Bohn Gass, que responsabiliza o governo Temer pela queda de preços pagos aos produtores de leite no Brasil e, de modo especial e mais grave, no Rio Grande do Sul.  “Com a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário pelo governo golpista, perdemos agilidade para atuar em crises como a do leite e, ainda, reduzimos nossa capacidade de negociação nas relações internacionais dos produtos agropecuários”, disse o parlamentar.

A redução de recursos federais destinados ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), segundo Bohn Gass, foi de R$ 196 milhões em 2016, para R$ 50 milhões esse ano. “Na prática, isso significa que os produtores perderam um quarto do mercado de um ano para o outro. Era óbvio que essa redução iria gerar problemas”, afirmou o deputado. Ele também reclamou da falta de propostas concretas por parte do governo federal na audiência pública. “Os representantes dos ministérios da Indústria e Comércio e da Agricultura admitiram o aumento das importações de leite em pó dos países do Mercosul, principalmente Argentina e Uruguai, mas não apresentaram nenhuma proposta concreta, como se não fosse um problema deles”, disse Bohn Gass.

Os números da importação foram confirmados Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Apoio às Exportações do Ministério da Indústria e Comércio: em 2014 o Brasil importou, desses dois países, 48 mil toneladas de leite em pó; em 2015 foram 82,7 mil toneladas; em 2016 o número saltou para 145 mil toneladas e em 2017 já chegou a 70 mil toneladas.

Concordando com Bohn Gass no sentido de que o governo precisa agir imediatamente, Paulo do Carmo Martins, da Embrapa Gado de Leite, lembrou que “em todos os países do mundo, o leite é um assunto de Estado, seja pelo controle sanitário, seja pelo apoio ao setor produtivo”.  

Essa falta de apoio governamental impacta fortemente as 1,3 milhão de propriedades rurais que produzem leite no Brasil. Pedrinho Signoli da Fetag/RS que afirmou que o quadro no campo é de “desespero”. “A baixa no preço é constante. Só no Rio Grande do Sul 2.500 famílias já desistiram da produção leiteira e mandaram as vacas para o abate”.

Mario Nascimento, Vice-presidente do Instituto Gaúcho do Leite (IGL) falou sobre a impacto do setor na economia dos municípios: “O dia do pagamento do leite é o dia que mais movimenta a economia no interior”. Ele apresentou um conjunto de propostas para amenizar a crise enfrentada pelo setor: promover novos mercados para a expansão das exportações; estabelecer uma política única de tributação dos produtos importados e aquisição de 50 mil toneladas de leite em pó pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).



 

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