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FUNCIONALISMO DECRETA: SARTORI PASSOU DE TODOS OS LIMITES - "Estamos cansados, endividados e com raiva", diz um PM

29/09/2017 06:04

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FUNCIONALISMO DECRETA: SARTORI PASSOU DE TODOS OS LIMITES - "Estamos cansados, endividados e com raiva", diz um PM

// Foi tanto desrespeito, tanta desconsideração, tanta ausência de diálogo, tantos mal tratos, tanta violência e tantas mentiras, que o governo Sartori conseguiu reunir contra si todas as categorias do funcionalismo público do Estado do RS. Nesta sexta-feira (29), milhares de professores, policiais e servidores de todos os níveis e categorias realizaram um dos maiores atos de protesto que o já se viu contra uma administração estadual.

Pela manhã, com o Gigantinho absolutamente lotado (como há muito não se via), o Cpers-Sindicato realizou uma assembleia que decidiu manter por tempo indeterminado, a greve deflagrada no último dia 5 de setembro. A votação ocorreu logo no início da assembleia. No dia anterior (quinta, 28) o secretário Estadual de Educação, Ronald Krummenauer, e o chefe da Casa Civil, Fábio Branco, haviam se reunido com o comando de greve do Cpers pedindo o fim da mobilização, porém sem apresentar novas propostas.

De lá, o povo da educação foi em caminhada até o Largo Glênio Peres onde já estavam concentrados outros milhares de servidores da Corsan, da CEEE, da segurança e de outros diversos órgãos estaduais e, ainda, municipários de Porto Alegre que estão vivendo situação semelhante por conta dos desmandos do prefeito tucano, Nelson Marchezan Jr.

Depois, a multidão marchou até a Praça da Matriz onde, em frente ao Palácio Piratini, aconteceu aquela que talvez tenha sido a mais forte manifestação contra o governo do PMDB até agora.

Fora Sartori! Foi, sem dúvida, a palavra de ordem mais ouvida.

É a única resposta possível dos funcionários aos parcelamentos de salários a que eles vêm sendo submetidos há 21 meses consecutivos. No início da semana, depois ter pago apenas R$ 350,00 como parcela inicial do salário, Sartori percebeu que a reação seria fortíssima por parte dos servidores. Então, prevendo uma enxurrada de ações judiciais – que o Estado, certamente, perderia – o governador resolveu modificar a forma de pagamento e informou que, a partir de outubro, as categorias que ganham menos seriam pagas primeiro. Além de não resolver nada, a medida chegou tarde demais e revoltou ainda mais a massa assalariada do Estado.

Outra tentativa de amenizar a revolta dos servidores foi a decisão do governo de propor uma indenização, pelo índice da poupança, àqueles que tiveram seus salários parcelados. De novo, o tiro saiu pela culatra. Os funcionários entenderam o anúncio como uma confissão de que o governo tem dinheiro por que, como disse uma professora de Caxias do Sul, “se está propondo indenizar, como é que não paga? Então, quer dizer que dinheiro há”. Pior do que isso, a indenização, segundo cálculos dos sindicatos de servidores, poderá ser inferior ao preço de uma passagem de ônibus.

 A realidade é que com as duas dezenas de atrasos, Sartori tornou a situação insustentável para uma grande parte dos funcionários públicos. “A grande maioria não sabe como vai se manter porque começam a chegar as faturas daquilo que nós vivemos, os empréstimos. Parece que isso não faz com que o governo reflita e isso nos força a manter a greve e cada vez mais forte”, resumiu Helenir Schürer, presidenta do CPERS.

A frase que sintetizou o ato, talvez seja a que partiu de um brigadiano que, temendo represálias, declarou: “As pessoas falam em caos na minha área, que é a da segurança pública. E é verdade, estamos vivendo um caos. Crime organizado, explosão de crimes, insegurança total. Mas o caos não é apenas pelo medo de ser morto ou assaltado. O caos é um professor não ter como pagar o aluguel e ser despejado. O caos é um governo ver tudo isso e, ao invés de fazer alguma coisa, mandar o governador descansar num spa porque está estressado. Ora, se Sartori está cansado, imagina como estão os funcionários que receberam 350 reais. Estes, além de cansados, estão com fome, com dívida e com raiva.”

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