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Em 30 anos, população jovem do campo sofreu redução de 25,93%

31/08/2011 09:44

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Em 30 anos, população jovem do campo sofreu redução de 25,93%

Bohn Gass e Márcio Pochmann no I Seminário Nacional da Juventude Rural

- 1º Seminário Nacional da Juventude Rural - Em 30 anos, 2,1 milhões de jovens brasileiros de 14 a 24 anos, deixaram o campo. Segundo o IBGE, em 1979, o Brasil tinha 8,1 milhões de jovens na zona rural. Em 2009, esta população já era de 6 milhões, um decréscimo de 25,93%. Foi com esta alarmante constatação que o economista Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), deu início ao painel de abertura do 1º Seminário Nacional de Juventude Rural, realizado no auditório Freitas Nobre da Câmara dos Deputados, na manhã desta quarta-feira (31/8). Organizador do seminário, o deputado federal Elvino Bohn Gass (PT/RS), diz que os números mostrados por Pochmann são a confirmação de que o êxodo rural continua muito elevado no Brasil e que, nos últimos anos, este processo migratório tem afetado principalmente a juventude. “Fizemos o Seminário justamente porque temos esta percepção de que o campo brasileiro está envelhecendo por conta da falta de perspectivas para a juventude,” explica Bohn Gass. Pochmann concorda. E acrescenta: “A faixa etária que sofre a maior pressão para deixar o campo vai dos 14 aos 19 anos, donde se deduz que quando passa dos 18 anos na zona rural, a tendência do jovem é ir ficando por lá mesmo”. Estes números, segundo o economista, revelam que o principal fator para a saída dos jovens do campo é a busca da escolaridade. Ele diz que, embora o Brasil tenha melhorado muito seus índices nesta área nos últimos anos, a realidade é que o país ainda tem cerca de 225 mil jovens analfabetos na zona rural. “Em 1979, a taxa de anafabetismo entre os 8,1 milhões de jovens rurais, era de 27,2%, ou seja, um em cada três não tinha qualquer acesso à educação. Agora, dos 6 milhões que permanecem no campo, 3,7%, ainda são analfabetos”, afirma Pochmann. Mas o presidente do IPEA alerta que é preciso conter o entusiasmo porque apesar da redução do analfabetismo absoluto, apenas um em cada quatro jovens tem mais de quatro anos de escolaridade. “O analfabetismo funcional ainda é enorme na juventude rural e somente 1,3% atinge o nível universitário”. Do ponto de vista da distribuição geográfica, as regiões Norte/Nordeste são as que mais concentram jovens rurais com 52,7%. Sul/Sudeste têm 13,7% desta população e os outros 33,6% estão no Centro-Oeste. “Aí, há, também, um dado revelador: na década de 70, de cada 10 jovens, quatro eram do Sul-Sudeste, hoje, apenas um é desta região,” diz Pochmann. A questão “trabalho” também foi abordada. Conforme os dados do IPEA, em 1979, 5,1 milhões de jovens rurais trabalhavam. Este número baixou para 3,3 milhões em 2009. Considere-se, aí, a redução da população absoluta de jovens no campo e o contexto de informalidade ou não reconhecimento do trabalho executado pelos jovens rurais. Ao comentar este tema, o deputado Bohn Gass, que é filho de agricultores familiares e foi um jovem rural, afirma: “Quem conhece a agricultura familiar, sabe que os jovens trabalham muito, e desde cedo. Precisamos enfrentar a invisibilidade deste trabalho que, apesar de extenuante, ainda é visto simplesmente como uma ajuda aos pais”. João Manoel de Oliveira – maneco1313@gmail.com – (61) 93030591

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